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Como é a roteirização do transporte de cargas com peso e/ou dimensões excedentes.

Atualizado em 27/12/2025

A roteirização do transporte de cargas com peso e/ou dimensões excedentes tem sido o principal desafio para quem transporta cargas com peso e/ou dimensões excedentes no Brasil?
 

E POR QUE ISSO ACONTECE?
 

1. Por causa da baixa densidade da malha rodoviária brasileira, vide ilustração abaixo:
 

 

2. Por causa da crescente piora do estado de conservação da maioria das rodovias. Clique aqui e confira as condições dos principais corredores rodoviários, de acordo com a pesquisa da CNT de 2022:
 


3. Porque mais de 85% da malha é formada por rodovias muito antigas com pistas simples, pontes estreitas e sem acostamento, projetadas com baixos gabaritos verticais e horizontais, muito aquém da demanda atual de transporte, com um volume cada vez maior de cargas superpesadas e superdimensionadas:
 

 

4. porque mais de 6 mil pontes e viadutos apresentam restrição de capacidade portante:

 

 

6. porque nenhum dos órgãos rodoviários, nem mesmo as rodovias concessionadas, disponibilizam informações sobre essas limitações

 

6. porque apesar dos avanços tecnológicos não há ainda no mercado nenhum roteirizador que leve em conta limitações geométricas e de capacidade portante da malha rodoviária

 

7. porque, sabe-se lá porque, órgãos como o DNIT, DER-SP, DER-MG  e outros, de estados com grande quantidade de cargas transportadas, se recusam a criar bancos de dados a partir dos transportes já autorizados

 

8. porque, apesar da evidência dessa realidade, muitos fabricantes ou usuários não a levam em conta na hora de projetar, produzir e contratar transporte de itens de alta complexidade.

 

9. porque a maioria das transportadoras não cria bancos de dados com informação de transportes pregressos, que são, sem dúvida, uma boa fonte de informação para futuros transportes.

 

Diante desse cenário o que fazer, então, para reduzir custos e tempo na viabilização e operação do transporte de uma carga com peso e ou dimensões excedentes? 

 

a) comece escolhendo o veículo que resulte em menor PBTC e dimensões totais do Conjunto Transportador, em especial, com relação à altura total e ao comprimento total. Veja nas ilustrações, abaixo, como a escolha do veículo interfere na altura final do conjunto transportador e mais à frente nos requisitos para a obtenção de AET's e execução do transporte:
 

 

b) sempre que possível, tenha em mãos o desenho técnico do conjunto transportador e a tecnologia de transportes utilizada, tipo de suspensão, eixos direcionais ou não direcionais. A carreta abaixo com 7 eixos e apenas 3 deles auto-direcionais, seguramente terá muitas dificuldades em rodovias com raios de curvatura apertados, em especial em rodovias de pistas simples:
 

 

c) não se esqueça de que os custos com taxas e tarifas para trânsito de cargas excedentes aumentam proporcionalmente com o aumento do peso e das dimensões do conjunto transportador. Vide quadro abaixo, válido para o DER-SP:

 

 

d) nunca se comprometa com o cliente, em especial com relação a preço e prazos, antes de ter certeza sobre a viabilidade do percurso, sobre os custos que incidirão sobre o transporte, assim como sobre os prazos para obtenção de AET e programação de travessias;

 

e) a melhor maneira de se certificar sobre a viabilidade do percurso, a baixo custo, é requerer uma AET Teste;

 

f) na especificação de rotas para cargas mais simples, com peso e dimensões mais próximos dos limites regulamentares, não deixe de consultar os motoristas da empresa (de carreta e de escolta). Eles são sem dúvida uma excelente fonte de informação.

 

g) para cargas muitos complexas o melhor mesmo é a contratação de um EVG - Estudo de Viabilidade Geométrica;

 

h) não deixe de considerar possíveis custos com remoção de interferências

 

 

i) dê preferência às rotas mais curtas (menos custos operacionais e menor tempo de viagem) mas não deixe de checar o impacto das tarifas pelo uso da via pedágio, TUV, TAP, nem o tempo e o tempo para liberalização do transporte (obtenção de AET e programação de travessias);

 

j) no caso da existência de rotas alternativas, escolha aquela que implique na menor quantidade de obtenção de AET's, no relacionamento com a menor quantidade de órgãos e concessionárias. Clique nas figuras abaixo e saiba por quê:

 

   

 

l) lembre-se de que a especificação do percurso, de acordo com o § 1º do Art. 101 do CTB, assim como também, os custos por quaisquer danos causados à equipamentos e instalações públicas são de responsabilidade do requerente da AET, ou seja, do transportador;

 

k) esteja preparado para possíveis exigências de EVG - Estudo de Viabilidade Geométrica e/ou de EVE - Estudo de Viabilidade Estrutural. A regra geral no DNIT e DER/SP é para PBT acima de 288t. Mas eles podem ser exigidos para PBT's muito abaixo desse limite, devido às condições das O.A.E - Obras de Arte Especiais. Confira aqui critérios para exigência de EVE ;

 

m) Alguns órgãos como o SEINFRA-BA exigem EVG para o transporte de qualquer carga do segmento eólico;


 

n) o DNIT exige EVG para trânsito de veículos transportando pás eólicas com comprimento acima de 75m.

 

o) atenção muitas rodovias, que aparecem no google maps, como federais, são de jurisdição estadual. Em alguns casos, como no Anel Rodoviário do Paraná, a AET é do órgão estadual (DER-PR), mas o policiamento é da PRF.

 

p) fique atento aos dias e horários com restrição de trânsito, em especial, durante feriados prolongados. Clique aqui para mais informações.